O que dizer de amores platônicos? não sei, pensei sobre isto nesta tarde. É que, a luz do sol que aquece e deixa o meu quarto insuportavelmente quente ao poente do dia abafado, inspira meus olhos, mente e quietude. Meu professor e querido endocrinologista chamou-me a atenção para a duração de certos desvarios amorosos: a paixão não é eterna, tem vida intrínseca de 2 anos, no máximo, quando outro hormônio, se der o ar da graça, vier a consolidar o amor e convivência a dois. Complexo, intrigante, perspicaz. Meu professor sabe das coisas. Ele disse que "paixão em excesso é doença". Eu, se o fosse, retiraria a palavra 'excesso' da explanação sobre os mais nobres sentimentos desta vida criada ao acaso de algum ocaso. A paixão, por si só, sem excessos, é doença. É uma crença, um estágio, um final de faz de contas. Dentre os meus desvarios e excessos, há pôr-do-sol que suporte o pensamento científico? Sei que não há vida esta que suporte os excessos do corpo e da mente inquieta. Minha cabeça, nesses tempos de fim de jornada e grande destreza para o raciocínio lógico, ficou meio bagunçada. Uma tarde me remete à paixão e, por sua vez, tenta achar explicação em alguma coisa 'palpável' para enteder os limites da vida. Eu queria respostas. Aliás, sempre as quero, mesma que sentimentalóides ou ilusoriamente irreais; sejam elas retiradas de um artigo científico ou de um analfabeto na esquina de um bairro qualquer, com cartas de baralho copag. O pôr-do-sol, como já desisti de entendê-lo, entrou em mim através dos olhos da minha mãe, à beira do São Francisco todos os dias, sentada na pracinha do cais da minha terra. Para isto, não é necessário entendimento, posto que já se sabe a fonte que o rega. Mas, para as trivialidades da vida, a paixão e outros pesares que se carrega, tinham de vir com o endereço remetente. Endereço remetente foi realmente ótimo!
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Voltando à pergunta inicial, proponho o mote paixões platônicas. Acho até que é mais correto chamá-lo assim. Essa coisa de sentimento brusco e abrupto, sem porquê, lançados a alguns indivíduos aleatoriamente distribuídos em algum canto de algum lugar. Platônico. Palavra engraçada. Eu acredito em paixões platônicas, assim como em amores platônicos. Às vezes, sobrevivem durante anos; a maioria se desfaz em meses, semanas. Acho que o organismo, vendo tal disparate, clica no botão desliga do cérebro maluco. Ou então, algum pensamento divino ou próprio se dá o trabalho de inibir a constante busca pela loucura instalada. Sobre o que eu pensei sobre os amores (paixões) platônicos? Ah, isso aí é assunto para as loucas neurotrofinas, que insistem em sair da prisão de suas glândulas agitadas e emotivamente sentimentalóides de sempre.