terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Voltando ao século XX...

Nesse "passa ou repassa" da vida, Gugu Liberato não possui mais o cargo quase-mór desse SBT, traduzida como Aratu nessas bandas da Bahia. "O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continua numa boa". Lembro-me até hoje da primeira vez que o Silvio Santos fez o primeiro aviãozinho com cruzados de algum grande valor lá no programa "Topa tudo por dinheiro". Eu me lembro que também assisti à primeira apresentação da novela "Pantanal", na Manchete, apesar de muito tarde da noite, com aquelas cenas 'calientes' e um pântano ao fundo. Outra coisa também a ser recordada eram minhas tardes, ainda na TV Manchete, assistindo às porcarias nipônicas e comendo um ovo batido com farinha e açúcar (por email receba a receita: sayonaraepifanio@yahoo.com.br, hahahahahahahaha). Eu já cheguei até ao cúmulo de ouvir e gostar - lógico! -, do grupo Sampa Crew, com todo aquele falatório desritmado, de um conteúdo gramatical açucarado; o Olodum lançava seu primeiro CD, com canções de protesto e anti-racismo, que a gente só achava em fita K7 naquelas bandas do Oeste, da beira do Velho Chico. Engraçado, os K7 bons existiam, com todo o glamour esperado para coisas originais, de fábrica. Vinham com o encarte todo dobradinho, lindo, compactado para a embalagem. A fita era gravada rigorosamente 'no ponto', para que o ouvinte não perdesse um só segundinho das músicas iniciais e finais da bendita originalidade adquirida. Tempos bons, tempos idos...

Outra lembrança da minha vida, foi a morte de Cazuza, televisionada, se não me engano, pela Globo. Foi terrível este dia, não gosto de lembrar-me dele. Principalmente porque ele era meu xodozinho na época, mesmo bem guria, pois já curtia de ficar dançando no meio da sala, com os sofás todos encostados na parede, as músicas "... eu tô perdido sem pai nem mãe, bem na porta da tua casa..." e "... exagerado, jogado aos teus pés...". Nessa época, não me lembro de muitos doces ou guloseimas antigas que consumia. Acho que minha mãe foi muito rigorosa neste quesito. Contudo, vídeo-games não faltaram em minha casa. O Atari foi só o começo para que os Master System, Mega Drive e Nintendo chegassem à parca cidadezinha do interior bahiano. E tudo vinha de Salvador, Brasília, Belo Horizonte, é claro. E por falar em Belo Horizonte, a minha avó adorava viajar. Sinceramente, eu não sei o porquê de tantas andanças por este meu Brasil, mas o fato é que ela adorava e sempre me carregava para onde fosse. Numa dessas, lá nas Minas Gerais, eu invoquei com um violão: foi o suficiente para a minha avó comprá-lo. Claro, eu não cheguei a usá-lo propriamente, pois era um Di Giorgio enoooooorme para uma guriazinha de 6 ou 7 anos, que mal tinha dedos para montar um acorde. Pior que o pobrezinho acabou-se nas inúmeras farras que sempre tinham lá em casa. Se bem que, menos mal, né?

É... lembro-me também da primeira noite em claro que passei na Semana da Cidade, ao som da banda Circuito Musical, tocando It must have been love, do Roxette; lembro-me da Quarta-feira de cinzas, quando meu irmão caiu da mesa e quebrou a clavícula - mais uma; Lembro-me da banda Ciclone, na ACRI, fazendo aquela noite dançante com as músicas da Jovem Guarda. São muitas lembranças, que emaranhadas entre imagens de TV, músicas, presentes e viagens, fazem parte de uma extensa rede neuronal que prontamente se acende quando eu me lembro apenas de como aprendi a digitar, ou melhor, datilografar. E foi, por este ato diário, ao se usar o computador, que escrevi tanta baboseira que aqui vos lê. Eu não poderia deixar passar em brancos espaços virtuais estas lembranças bobas, mas que compuseram a minha vida. Sabem como aprendi a digitar? Na tora! Descobri que meu tio comprara uma máquina de datilografar, dessas pequenas, que a gente tampava e ficava parecendo uma maletinha, de cor azul marinho, novinha. Como ele não me deixava utilizar a porcaria, pegava-a escondido todos os dias quando ele saia. Era engraçado, eu nunca havia visto alguém datilografar, até que reparei uma senhora do colégio na feitura de uma prova. Gente, eu não sei como eu conseguia afundar os pobres e finos dedinhos naquela velharia dura. Eu datilografava tanto, que tudo meu era realizado naquela joça: anotações desnecessárias, lista de presentes nunca comprados, dever de casa, meu nome completo 100 vezes, tudo. Até descobri um bendido corretivo para máquinas datilográficas! Lembro-me de que utilizava a máquina para datilografar o que eu mais gostava de fazer: paródias. Na 6a série, eu e Idalécio dedicávamos os dias a batuques na hora do recreio, cantando paródias das mais diversas músicas de sucesso. As letras eram horríveis, de conteúdo pornográfico - coisa engraçada para a época e para a idade -, exaltando o defeito de algum colega de turma, maldizendo algum professor chato... enfim, diversas porcarias pré-adolescênticas que se transformavam em hit na escola, onde nossa sala virava um palco para as mais diversas apresentações grotescas, de cover dos Mamonas Assasinas (com aquela música do Robocop gay) à Lulu Santos. Meu Deus, só de pensar, sinto asco: nem acredito que eu cantava e dançava a música inteira, interpretando a letra como se fosse um show de verdade! Triste...

Naquela época, computador era luxo, com aquelas máquinas enormes: os mais avançados eram os 486, ultrapassando há pouco tempo os 386, mas já em vista do 586 lançado no mercado americano. Primeiro entrávamos no MS-DOS, digitávamos 'cd win', depois 'win', para entrarmos no sistema operacional. Não havia nada neles, nenhum tipo de entretenimento, o bloco de notas era o feitor de texto padrão, o campo minado não era disponível para todas as versões, enfim, o windows 4.1 era um verdadeiro saco. Utilizávamos o drive B:, com um disco enorme quadrado, extremamente maleável, com um furo arredondado no meio. E dentro dele, se muito remexido, dava até para retirar a película e ter acesso macroscópico ao 'filme' de dados do bendito. De pensar que hoje um computador está na palma da sua mão, realmente é de se espantar.

E, para acabar com este tópico - escrevo demais, não? acho que é por conta do muito tempo que não dou as vistas por aqui -, vou dizer que eu era muito briguenta na idade escolar. E eu achava que, as guerras infinitas com meu irmão mais novo eram suficientes para me autointitular uma virtuose do boxe, luta livre, ... . Até que um bendito dia, uma amiga e eu tivemos uma briga daquelas. Resultado: olho roxo pra cá, testa sangrando pra lá, golpes baixos, chutes e voadoras aprendidas com Chuck Norris. As duas, arregaçadas e com saldo negativo. Após este conflito, nunca mais me embrenhei por esses campos bélicos perigosos. Sempre temi um corpo-a-corpo (que também era uma marca de hidratante!), aprendi qual era o meu lugar. E, nessas épocas de mudanças e lembranças perdidas, algumas lições para sempre ficaram gravadas. É, realmente é preciso ter memória para ir-se no alicerce que sustenta a maior parte das novas decisões.

=]

Boa noite a todos.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

E o nome dele é Francisco...

... E é mesmo! Francisco, Chico, Seu Fran. De qualquer modo, meu professor de ameaças intelectuais às ordens macabras de algum tempo aí dos anos 60. Eu estou invocada com ele. A cada dia, nessa de enjôos e desenjôos musicais, ele sempre dá o ar da graça no meu dial. Chico, Chico, Francisco. Bem, não sei o porquê desse intróito bobo e sem nexo, mas aproveito o ensejo para reportar-vos, mais uma vez, as últimas notícias do meu mundo veloz e mambembe. Partirei, com Chico é claro, no bom Di Giorgio do meu primo, para as terras do norte desse meu Brasilzão. Iremos conhecer Fortaleza! A família toda reunida, com direito a cachorro e papagaio. Este último não, pois não temos, brincadeiras de mal gosto à parte com os penosos. Mas, meu bichinho e filho Zeca nos acompanhará. Ele, labrador, 3 meses, 12kg, de um pêlo lindo e preto, que só pensa em mordeduras, com aqueles dentinhos afiados. Será muito engraçado, portanto. O caminho é longo, será longo, cortar meia Bahia, subir, subir e subir. Gente, que empreitada! Só digo uma coisa: no que vai dar, só Deus saberá e proverá; a viagem, a cervejinha e o meu violão com Chico sempre presente nos tons e dissonantes, certamente já garantem qualquer agrura de viagem ou náuseas e vômitos por qualquer estrada mal cuidada.

Um abraço a todos, boas festas, feliz natal, boa virada de ano... e que 2011 não seja apenas o prenúnicio do apocalipse!

=]

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

E no mais?

Pois é, andei sumida uns tempos dos ares webianos. Fiquei com saudades diversas vezes, mas, por essas diversas vezes de intérminas 24h de dedicação exclusiva, não pude dar o ar da graça aos fantasmagóricos onipresentes em meu contador de visitas. É certo que ele está lá, estacionado no número zero, rua dos bobos. E o fato é que, mesmo sem perspectivas de algo bom para informar ou deformar, venho através desta dizer como estou, em poucas palavras, é claro.

Neste exato momento, estou cansada. É um desgaste mental essa história de trabalho intelectual vinte-e-quatro-horas-no-ar. Mas, alguém que inventou isso, que esteja agora queimando no fogo do inferno, achava normal essa devastação de neurônios em tão pouco tempo. Realmente, uma tragédia. No mais, leio o livro Beira de rio, correnteza, do escritor Carlos Barbosa, ex e eterno vizinho de longa data, lá da rua travessa a Nossa Senhora da Guia, em Ibotirama. Em duas noites conturbadas, finalmente consigui chegar ao meio do livro. É uma recomendação essa fala, hehehehe. Dia vai e dia vem, estou indo pras bandas da Vitória da Conquista, no terrível ônibus da Novo Horizonte. Um mau negócio, é certo, mas muito necessário para a minha corrida intelectual e competitiva, nesses tempos de poucas vagas em boas residências. Bem, ademais, resumo o resto do meu tempo entre frutas e comidas integrais, leitura e filmes diversos que a Sky me oferece diariamente. Nunca fiquei tanto tempo num sofá como esses dias.

A vida tem sido isso: deixei um pouco a academia e o vôlei, não saio mais de casa como antigamente. Acho que não terei mais neurônios daqui a alguns 10 anos, pois é o que faço todo o tempo: penso, penso, penso. E há quem diga "penso, logo existo"! Não existirei nessa acrobacia cerebral de liberdades e mobilidades controladas em breve... eu penso demais, meu Deus!!!! Será que existem pessoas assim como eu? com essa atividade neural exacerbada, que às vezes pede arrego e não há uma saída, a não ser adormecer, porque, meu cérebro não pára, não me deixa quieta!!!!!! Vou criar uma comunidade, boa idéia, reunir pessoas, dividir agruras. Boa idéia.

A boa e boa mesmo, é que vou dar um pulo no Recife, assistir ao show do Cranberries, uma das minhas bandas favoritas, rever uma amiga muito especial, a grande figura paraibana Bê! Só estou com muito medo de voar, nunca viajei de avião antes, morro de medo. Mas, vamos encarar a coisa, né? Espero voltar, hahahahaha. Se não, como as nuvens não permitem os instantâneos e celularmente claros "eu amo todos vocês!", fica aqui já adiantado a declaração, se ocorrer quaisquer pormenores, é claro!

E no mais? bem, fico por aqui, nesta que é minha tentativa de reescrever alguma coisa diferente na vida, de rememorar os momentos mais precípuos da semana, de tentar entender o rumo que essa joça toda vai tomando, porque a vida é curta e cada passo pode ser um quilômetro sem volta.

=]


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Zero. Rua dos bobos.
Número que representa o nada,
o "sem ter", um zero à sua própria esquerda.
Sozinho, imagina-se o vazio,
o nada enigmático e sartrianamente presente;
aquele que nos leva às respostas,
que nasce dos questionamentos do ser inconsciente,
predando os pensamentos prementes e implacáveis.
Não o vemos, não o tocamos.
Zero, simplesmente ele ali,
correspondendo à conotações de
erro, incapacidade, medo, tristeza.
Figurativo, o zero permanece
em meio às agruras do tempo, ou quando o ser vazio
e desprovido de questionamentos,
faz-se árvore morta e desprezível.
Zero: Rua dos bobos, número vazio...
Conjunto vazio, quando cortado ao meio;
balão ao vento do papel recém escrito,
quando tracejado na raiz, pintado em seu interior.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Ser médico.

É "não" estar do outro lado. Na verdade, não sabemos nada sobre quem entra.
Prontuários com palavras técnicas não dizem sobre o paciente que te espera.
Não dizem sobre a pessoa que está por detrás da doença ambulante.
Muitos têm a atitude de ir sentando, dizendo o seu sofrer e penar;
outros, aguardam envergonhados o sim do - por favor, fique à vontade;
alguns olham para o chão, poucos encaram;
a maioria tem olhos tristes, cansados, doridos.
Nós quase nunca sabemos sobre a vida, se sofrida ou alegre,
se vivida ou apenas cumprida,
de quem vai e vem nas filas dos postos e hospitais.
Só sabemos que eles vão, por alguma bobagem ou coisa séria,
com a recente ou crônica estranheza do seu corpo, mente ou alma doentes.
Eles querem somente entender o porquê da desconfiança pelo
mau funcionamento das juntas, estômago ou pensamento.
É o que querem. Querem apenas entender.
Mas, a maioria não compreende, sequer tem noção do que se passa, mesmo
tentando atingí-los com o coloquialismo que não aprendemos em escola alguma.
Porque, às vezes, não existe tradução para quem não conhece a própria língua.
Não há como entender. Não há como se fazer entendido.
E isso dói. Porque imaginamos a angústia do inteligível, do medo da morte e da deficiência.
E é só um porquê. E é extremamente difícil explicar. Muitas vezes impossível.
Mesmo assim, continuamos a rotina, auscultando, percutindo, ouvindo a história
que muitas vezes parece impossível, outras vezes parece paranóia e, ainda outras,
se encaixam perfeitamente em algum diagnóstico pronto nas nossas cabeças pensantes.
Depois, escrevemos, anotamos tudo, numa outra linguagem, traduzindo mais uma vez
algo que parecia simples e inofensivo, que às vezes ganha um significado cruel e amargo;
prescrevemos, carimbamos, assinamos: nos responsabilizamos pelo ato de diagnosticar e
tratar e instruir, somente com aquela história, com aquela ausculta e percussão.
Solicitamos exames, outras opiniões médicas, resolvemos casos e encaminhamos as pessoas
para uma outra fila, para uma outra jornada de um outro consultório, de um outro hospital.
A sensação que temos é que poderíamos fazer mais. Mas, muitas vezes, é quase impossível
fazer tudo que se quer, pois a vida, a morte, o pesar, as dores e os amargos da jornada
são ininterruptamente complexos e nós, nós somos apenas um em um grande consultório
de quatro paredes, com um estetoscópio na mão e muitas idéias na cabeça.
Infelizmente, somos apenas um, apesar dos sonhos.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Alento.

O pensamento é forte, exato, e imperfeito.
Prende-me ao futuro inexistente,
à quimera imprudente e itinerante:
sofro-me por querer, por sentir-me completo
com esse pensamento impaciente,
querendo concretizar-se, aparecer-se.
O que mais questionar ao universo?
Tantos porquês ridículos, jogados à ventania
da inconstância do meu querer.
Viajo, abro-me, apesar de tudo,
ao infinito desejo da minha alma romântica,
sendo-me em outro plano tudo o que ela quer.
Ó, almazinha de primaz suicídio, de burrice incessante!
E o pior do que não saber-se, é agarrar-se a algo
tristemente lúcido e torto, como se fosse coisa torta junto.
O pensar é forte; o pesar, o estrupício, o arreio da minha alma.
Acredito nele como se fosse meu veneno de vida e morte,
como se houvesse não mais que esta saída para a felicidade
e plenitude que a aguardam em um universo paralelo que nunca virá.
Quantos mais porquês terei de prescrutar até
virar-me o pó de que sou feita para, finalmente,
achar a resposta para tudo isso?

...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Inexato.

Eu olho o destino.
Eu assino e confesso,
descrevo meu futuro
sonhado em 5 minutos
entre sonos conturbados.

Eu sei de tudo, tudo
que vai acontecer daqui pra frente,
porque eu o vi por detrás
daquele monte verde,
num dia ensolarado,
na tela dos meus olhos fechados.

Mesmo assim, eu aceito.
Infelizmente o aceito.
Ele veio doce, me disse assintosamente
o que eu seria, como me sentiria.
Aceitei prontamente, mesmo morrendo
por dentro.

Agora, mais uma vez provo o néctar
de algum deus absurdamente poético
e patético.

Eu sempre soube de alguma forma.
Ainda criança soube. Agora, aceito.
Neste exato momento, morro-me.

Eu queria poder controlar o tempo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A Soterópolis!

Vivi 12 anos de minha vida aqui. Eis agora, neste momento, que me despeço da minha cidade. Digo minha, pois eu a abraçei com todo o meu entusiasmo de moleca recém-chegada do interior da Bahia. Troquei o rio pelo mar, as serras e cheiro de terra molhada pelas ladeiras e asfaltos dessa grande e bela cidade. Troquei minha casa por pensionatos e repúblicas, amigos por recém-conhecidos, pessoas que foram e vão-e-vem na nossa vida. Troquei tudo: de roupas, de hábitos, de colchão. Lembro-me como se fosse hoje, logo na primeira semana que aqui cheguei, indo à loja da ortobom na avenida Joana Angélica, comprar meu primeiro colchão da Soterópolis. Eu nunca me imaginei nessa cena, retirando sessenta e poucos reais da carteira, como gente grande. É, eu havia crescido após uma noite no ônibus da Real Expresso, com lágrimas nos olhos, com saudades da minha mãe, irmãos, tios e avós. Lembro-me de quando acordei na rodoviária, um monte de gente esquisita, correndo pra todos os cantos, à procura de carrinhos para levar suas bagagens. Lembro-me de que eu desci, vendo toda aquela correria, com um milhão de malas para dar conta, com um sonho na cabeça, toda mirradinha e cheia de casacos pelo frio do ar-condicionado recém-desligado na estação. Engraçado, passaram-se 12 anos. Muitas coisas aconteceram. Fiz amigos de verdade, inimigos, chorei por alguns, outros me fizeram chorar, sumindo da minha vida. E cá estou eu, com meu sonho realizado, despedindo-me da cidade que eu escolhi para ser a 'minha cidade'. Sentirei falta do pôr-do-sol do Porto da Barra, das luzes da Cidade Baixa que dá pra ver só de passar pela avenida Contorno de ônibus. Sentirei falta do Rio Vermelho, meu querido bairro, com sua boemia noturna, seus beijus, acarajés e cervejas caras. Sentirei falta da minha casa, do meu irmão que deixo aqui perseguindo o sonho dele, que é meu também. Dos amigos, nem se fala. Eu fui muito abençoada pelos Santos e Orixás dessa terra, não tenho do que me queixar. Muitas pessoas boas, magníficas, passaram para tomar 'uma' no play do meu condomínio, tocaram violão no meu sofá. Despeço-me daqui com lágrimas nos olhos, com saudades de muita coisa, mas também com vontade de futuro, com pressa para conhecer outros lugares, outras gentes. A Soterópolis foi muito importante na minha vida. Fiz a escolha certa, eu sei disso. Hoje, volto para mais perto do meu Velho Chico, trocando mais uma vez o mar pelo rio, a certeza pela incerteza, descendo novamente em alguma rodoviária 'desconhecida', cheia de gente esquisita, mas com menos pressa, é certo. Obrigada, Soterópolis. E que os Santos e Orixás sempre abençoem essa terra boa que é a Bahia.

"...It must have been love but it’s over now
It must have been good but I lost it somehow
It must have been love but it’s over now
From the moment we touched til the time had run..."
[It must have been love, Roxette. Música que eu ouvi quando saí de Ibotirama em 1998.]

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Ratificando...

Impressionantemente abalável, inflável, com gosto de mel e ressaca de mar revolto.
Não quero mais nenhum tipo de sentimento 'ilhado, amordaçado', típico de defundo defumado.
Sinto agora a maior derrota de toda a fortaleza destroçada: bastilha incontestavelmente
abduzida e 'inconstruída' dos meus sonhos,
certeza bizarramente inconclusa e triste dos meus dias.
O que fez tudo isso em mim? Um grande nada aberto, pois só um sem sabor e desalento
pra machucar alma pura, aberta e certa.
Nunca vi nada errante desde a última vez.
É a última vez, certamente. Sempre será, até que o dia de esvair-se em coisa alguma,
que se chamara 'sonho, homem, estrada, viagem de ventania'.

Absorto-me.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Virtual.

Parece engraçado quando um insight alcança a racionalidade dos nossos pensamentos. Tudo acontece rápido, numa fração de segundos, dando uma nova luz, um novo caminho em meio a esconderijos mil do inconsciente que ronda embaralhado e cheio de névoas aos nossos olhos. Seria loucura profetizar teses e explicações científicas para tal feito. O que ocorreu microscopicamente não importa agora, mas a sensação final repentina que o corpo apreende em outros milésimos de segundo, após esse novo download misterioso vindo de algum lugar do mundo, é a parte mais crucial e gostosa da história. Muitos downloads vem ocorrendo em minha vida amiúde. Às vezes, nem sei processar todos eles. Outras tantas, perco-os em outros updates de assuntos até menos importantes. Como é engraçada nossa vida, nossa apreensão do mundo, o conhecimento que temos das coisas. E mais ainda, de como nos vem essa joça toda que parece não ter fim, parece dar pane ao hard disk. Enfim, acho que preciso fazer urgentemente um rub out.