sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Loucura.

O que dizer de amores platônicos? não sei, pensei sobre isto nesta tarde. É que, a luz do sol que aquece e deixa o meu quarto insuportavelmente quente ao poente do dia abafado, inspira meus olhos, mente e quietude. Meu professor e querido endocrinologista chamou-me a atenção para a duração de certos desvarios amorosos: a paixão não é eterna, tem vida intrínseca de 2 anos, no máximo, quando outro hormônio, se der o ar da graça, vier a consolidar o amor e convivência a dois. Complexo, intrigante, perspicaz. Meu professor sabe das coisas. Ele disse que "paixão em excesso é doença". Eu, se o fosse, retiraria a palavra 'excesso' da explanação sobre os mais nobres sentimentos desta vida criada ao acaso de algum ocaso. A paixão, por si só, sem excessos, é doença. É uma crença, um estágio, um final de faz de contas. Dentre os meus desvarios e excessos, há pôr-do-sol que suporte o pensamento científico? Sei que não há vida esta que suporte os excessos do corpo e da mente inquieta. Minha cabeça, nesses tempos de fim de jornada e grande destreza para o raciocínio lógico, ficou meio bagunçada. Uma tarde me remete à paixão e, por sua vez, tenta achar explicação em alguma coisa 'palpável' para enteder os limites da vida. Eu queria respostas. Aliás, sempre as quero, mesma que sentimentalóides ou ilusoriamente irreais; sejam elas retiradas de um artigo científico ou de um analfabeto na esquina de um bairro qualquer, com cartas de baralho copag. O pôr-do-sol, como já desisti de entendê-lo, entrou em mim através dos olhos da minha mãe, à beira do São Francisco todos os dias, sentada na pracinha do cais da minha terra. Para isto, não é necessário entendimento, posto que já se sabe a fonte que o rega. Mas, para as trivialidades da vida, a paixão e outros pesares que se carrega, tinham de vir com o endereço remetente. Endereço remetente foi realmente ótimo!
...
Voltando à pergunta inicial, proponho o mote paixões platônicas. Acho até que é mais correto chamá-lo assim. Essa coisa de sentimento brusco e abrupto, sem porquê, lançados a alguns indivíduos aleatoriamente distribuídos em algum canto de algum lugar. Platônico. Palavra engraçada. Eu acredito em paixões platônicas, assim como em amores platônicos. Às vezes, sobrevivem durante anos; a maioria se desfaz em meses, semanas. Acho que o organismo, vendo tal disparate, clica no botão desliga do cérebro maluco. Ou então, algum pensamento divino ou próprio se dá o trabalho de inibir a constante busca pela loucura instalada. Sobre o que eu pensei sobre os amores (paixões) platônicos? Ah, isso aí é assunto para as loucas neurotrofinas, que insistem em sair da prisão de suas glândulas agitadas e emotivamente sentimentalóides de sempre.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

S.O.S.

"Socorro!
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir...
Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada...
Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor! Uma emoção pequena, qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva.
Socorro!
Alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento,
Acostamento, encruzilhada
Socorro! Eu já não sinto nada..."
...
...
Socorro - Arnaldo Antunes

sábado, 17 de outubro de 2009

"No intento da vida urbana,
onde as luzes se acendem em vasta imensidão
escura do sol que se pôs,
Em que lugar procurar o amor?
Em que esquina ele se esconde?
A que horas seu trem chega,
em que estação desembarca?
Em que lanchonete irá saciar a fome
de viagem longa,
de passeio incerto,
de veraneio cego,
de intento à procura incessante?
Onde, meu Deus, em que ilha deserta,
em que ponto de ônibus,
em que praia deserta,
em que areia amarela, cinza, branca,
em que lugar do mundo, do universo,
em que constelação estará?
Fico a olhar o céu, cheio de encantamentos,
pensando na rua deserta e iluminada,
com seus muitos carros e transeuntes.
Penso que perdi alguma coisa nessa azáfama
diária, nesse lugar limitado, nessa casa acima
dos morros e casas".
...
...

domingo, 11 de outubro de 2009

Amigos.

Eu não sei viver sem eles. E quando vem chegando o fim-de-semana, ah, fico numa saudade! Claro, cada um tem suas vidas, seus outros amigos, família e namorado(a). Mas, mesmo assim, a saudade não sabe ou não se contenta. Ela vem, bate e perdura até a segunda-feira, quando os reencontro e nos damos bom dia. É bom saber também que eles me amam. E isso se torna óbvio, pois, quando se é amigo de verdade, e a recíproca é verdadeira, dá pra sentir a energia boa, o brilho nos olhos e o bem-querer que se emana de cada gesto e conversa fiada. Eu os amo muito, percebi outro dia. É, porque amor que é amor, não "dá assim tão na cara de vez". Ele "se achega", vem de mansinho, se instala e fica lá assoviando para o alto, com cara de coerência, sem esperar que seja notado. Aí, quando se vê, ele arregala os olhos e se pergunta em pensamento: dã, só agora você percebeu, bicho? E com os amigos a coisa é ainda mais linda e complexa. Mesmo chatos ou insuperáveis nos defeitos mais esquisistos, a incondicionalidade do sentimento é superior a quaisquer dúvidas. Interessante isso. Até porque, gente, é incrível como não se precisa fazer nada para conquistar um amigo: o amor acontece sem que a gente espere muito dele, sem que haja um sentido ou caminho a seguir. Essa é a verdadeira conquista, o verdadeiro propósito da vida doida que segue infinita. E eu amo muito meus amigos. Sinto a falta deles no meu dia-a-dia, nos meus estudos chatos, nas minhas noites de chuva onde não se tem nada para pensar ou fazer. Agradeço todos os dias ao pensamento cósmico que rege o universo, pelo complexo fato de ter cruzado os nossos caminhos e feito surgir o encantamento inicial, coisa que nutrimos a cada dia, com uma pitada de tapas e risos mágicos, com um monte de estresse e cheirinhos bobos, com uma meia caixa de cerveja numa sexta-feira de estudos e sono. É, assim é minha vida e meu amor por eles. Amigos são tudo, são a família que a gente escolhe diante de um mundo tão grande, cheio de maldades e desalentos que se sobrepõem a tanta beleza e felicidade escondidas em algum canto de olho ou apertar de mãos.
...
Amo vocês, seus pestes insuportáveis.
=]

sábado, 10 de outubro de 2009

Amarelo.

Às vezes a gente jura um tanto de injúria boba que nem se lembra mais das asneiras ditas do não. Eu só quero ver quando muito do pouco que disse e vivi, chegar à frente dos olhos descrentes e simpáticos de outrora. A vida é mesmo engraçada e doce, com uma pitada de açafrão e cominho, coisas que, pra mim, não fazem muita diferença no sabor, quando se tem os ingredientes principais mais temperados do que deveriam. Ou então, não percebemos bem o que estes sabores representam no céu da boca. Injúrias, asneiras, juras de coisas vãs. É, pensar é realmente o melhor destas tardes de sábado que não precisam necessariamente de um sol pra dar gosto de amarelo manga pras vidas paradas de sempre.
...
Vejam: marca amarela de mostarda na unha do primeiro dedo da mão direita. Destreza demais pra essa vida tão simples!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Paixão segundo S.E.

Nunca ousei conceituá-la. Não sei bem se, descrevê-la pelos sentimentos de outrora que vão e vem ao longo da vida, seria oportuno e perspicazmente certo. Será mesmo que ela é imprescindivelmente incondicional? Será mesmo desprovida de desejo vão? Existiria mesmo dentro de um ser assexuado e inerte às carnes e vida próxima? Bem valeria, pois, um tanto de lucidez nesta viagem de indagações vazias. Aliás, foi o vazio que me fez perguntar-me por uma coisa fora de mim agora. E agora, bem vazio e imparcial a este sentimento tão desequilibradamente rítmico, sinestésico, auto-incompreendido, é que tento desesperadamente achar uma sintonia perfeita de palavras para situá-lo no meu mundo de hoje.
...
Sinto a paixão como sendo um infinito de lágrimas soltas após um soluçar constante de um desabafo dantes pétreo. É um descarrego da mente no corpo, um torpor de alguma coisa que não se sabe de onde veio, não se sente ao certo, mas a sinestesia da pele com o pensamento em algo que o coração se abala faz o amargo e o doce se misturarem dentro do céu da boca. Na verdade, a paixão é meio doida por si só, pois entrega o ser que sente ao ser 'sentido', mesmo que ela habite somente em cabeça que não de ambas; nasce de um zé ninguém com maria de não-sei-onde, sem querer, sem poder, como um recém-nascido de alma posta no mundo sem a escolha prévia do caminho que se quer seguir... e sem saber sequer se caminho há; produz um intenso viver conjunto imaginário, uma poesia de redondilhas maiores, alexandrinos perfeitos e as formas mais impossíveis de viajar ao mundo do amor perfeito. - Ah, se o outro ser soubesse! "Será que ele quererá(?)", quereria pois, sentiria então?
...
O que a paixão provoca no ser amado? Poderia ser alguma ojeriza, algum riso, algum trato mais apurado de convivência, algum descontentamento, ou pudicícia, ou desinteresse qualquer? Ah, como a paixão é mesmo doida! Quantos sentimentos infinitos ela pode provocar, podendo induzir à completa decadência ou apogeu homéricos num piscar de olhos. Arrebatador, portanto, seria a minha definição: um sentimento arrebatador, para o bem ou para o mal - sejamos bem dualistas neste momento, por favor. E, porquanto isto, de certo há um controverso prazer nisso. Senão, seríamos vítimas eternas de algo que não pede licença 'para se fazer carne'. Ou realmente somos vítimas? Alguns podem até ser, penso. Outros ainda, irão argumentar indiferença ao conceito. Muitos dirão que nutrem de carne, osso e coração quando ela aparece querendo abrigo em corpo, mente e quietude.
...
É interessante pensar na paixão. É importante questionar-se imaginariamente o que ocorre quando as sinapses nervosas, estimuladas por alguma coisa externa ('ser sentido') que produz um impulso nervoso de algum lugar no cérebro humano, nervosamente desperendem uma descarga adrenérgica, onde os mediadores químicos fazem provocar a boca seca, o coração palpitante, a pupila mais aberta, o tremor das mãos e corpo inteiro. O corpo traduz em embaraço e gagueira, quiçá até em pensamento desconexo e intemporalidade. Tudo isso ocorre por dentro, fazendo o ser que sente esmiuçar-se inteiro diante da platéia que assiste à tradução do verdadeiro teatro da vida. Pois ela é composta disso, de paixão em si própria, de terror, de embriaguez, sorrisos e sarcasmos. A vida seria sem graça se a paixão não povoasse e bagunçasse as entranhas do amor que se infere quando há vida. Digo isso, pois, não há vida sem amor, mesmo que próprio, ou mesmo que não sendo, para o outro, de alguma forma, mesmo traduzindo-se em loucura ou desvario. Amor há sim, em todo canto, mesmo que não se veja a todo momento, em cada segundo, mas, todo ser que é ser, portanto, carrega consigo essa marca de ser ser, sentido ou que sente: ele ama em primeiro lugar, mesmo que não o valha. Enfim, falar de amor é bem mais complexo, mais dinâmico, porém. A paixão também é dinâmica, em seu grau correto, mas eles se diferem por completo, quase que opostos em suas qualidades e defeitos. A paixão é o mote da vida, que já há amor embutido.
...
...

sábado, 19 de setembro de 2009

Tela.

Quando a imaginação ganha espaço na vida concreta desaba o mundo das ilusões feridas em cima de todas as coisas corriqueiras e medíocres de antes. É bom o pensar e o sentir de outro mundo, onde se pode dar sorrisos e abraços exteriores, vendo a pele arrepiar-se inteira aqui pelo lado de fora. A boca seca, o paladar torna-se outro e infinitamente mais adocicado quando a mente está em forma e forma a realidade virtual dos olhos fechados. As lentes não são mais necessárias aqui. Tudo é nítido, um claro absurdo de bom, que dá um frio na barriga, tudo inerentes ao pensar de tempos que nunca acontecerão. Mas, isso, o que importa? as sensações por si só já bastam para passar a tarde triste e quente de olhos fechados, o coração aberto e a alma plenamente à vontade nos desvarios da mente sóbria. O tanto de vida que se faz e se tem dentro da cabeça de alguém é impossível de ser quantificada. É uma vida de um universo paralelo onde se controla o vai-e-vem dos carros poluentes e das bicicletas apressadas. É, realmente, um outro universo. E não vivê-lo a cada dia ao deitar-me é como se as vidas lá ficassem inertemente esquecíveis e paralisadas - e isso não se faz, pois o casulo necessita das horas e do tempo e da chuva e do sol para que a borboleta saia e brinde o dia com mais cores e a ventania microscópica de suas asas. Quando tudo isso acabar, pois tudo tem um começo e um fim, voltarei ao desalento do cotidiano, tendo a certeza que outros vídeos nascerão, com a mesma intensa vida e repletos de coisas mil, nas telas dos meus olhos fechados.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Chuva.

Você faz parte da minha vida e eu da tua, é inevitável! Tudo que nos cerca é nosso, é infinitamente e decoradamente nosso, relembrável e impossível de ser desmembrado. Não importa o quanto nós queiramos distância ou tentemos os 'desvínculos': somos um passado entrelaçado, mesmo que pouco, mas inesquecível, indelével. Vira e mexe, vejo alguma foto nossa, ouço alguma música que é a sua cara. E é incrível o quanto isso é tão presente, apesar de longínqüo no tempo, no sentimento e na memória inerte de coisa pouca.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Ode à primavera.

Chegaste quase, ó honrosa e doce primavera inefável.
Sinto seu cheiro permeando as torrenciais chuvas que tornam
o dia tão chato quanto é este meu coração diluviado que vos fala.
O queimor simples e manso que trazes é a salvação celestial
para os desalmados corredores do frio cinzento que habita o céu lá fora.
O vento, o silêncio, os pingos na calçada, nada é mais belo
que o início da vida nas árvores, muros e encostas dantes tórridas.
Eu sinto sim, cheiros mil, flores inundando os sonhares acordados,
os pesadelos infinitos que, num rompante da madrugada, acolhem-se
auspiciosamente na tua breve morada abrupta, de um novo coração trimestral.
Chegue logo, ó divina cor laranja que o sol insiste em pôr no raiar do dia;
Venha insípida e doce, transtornados pelo calor, pela vida que ascende,
pelas cortinas que acendem o flambejar do dia intenso e sudoréico,
mas lindo e cheio de rompante de vida.
Espero-te, ainda com uma leve e prévia saudade da brisa fúnebre,
que neste inverno fez-me pensar em ti tão premente.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Here comes the weekend.

Aí vem a boa nova, a andar calma pelos campos vastos de alguma coisa ainda imatura e tenra.
Sou eu quem cavalga num galope doce e cheio de lombalgia de outros tempos.
As nuvens não mais habitam o céu, meu coração tilinta e pulsa por ele próprio.
- Ah, como é bom o gozo de estar e ser novamente o eu dantes esquecido e despedaçado de outrora!
Sim, é "sol de primavera, que abre as janelas do meu peito", pois
"quando entrar setembro", essa boa nova sempre permeará os meus campos cheios de ternura e sonho.
"here comes, here comes the weekend..."