Nesse "passa ou repassa" da vida, Gugu Liberato não possui mais o cargo quase-mór desse SBT, traduzida como Aratu nessas bandas da Bahia. "O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continua numa boa". Lembro-me até hoje da primeira vez que o Silvio Santos fez o primeiro aviãozinho com cruzados de algum grande valor lá no programa "Topa tudo por dinheiro". Eu me lembro que também assisti à primeira apresentação da novela "Pantanal", na Manchete, apesar de muito tarde da noite, com aquelas cenas 'calientes' e um pântano ao fundo. Outra coisa também a ser recordada eram minhas tardes, ainda na TV Manchete, assistindo às porcarias nipônicas e comendo um ovo batido com farinha e açúcar (por email receba a receita: sayonaraepifanio@yahoo.com.br, hahahahahahahaha). Eu já cheguei até ao cúmulo de ouvir e gostar - lógico! -, do grupo Sampa Crew, com todo aquele falatório desritmado, de um conteúdo gramatical açucarado; o Olodum lançava seu primeiro CD, com canções de protesto e anti-racismo, que a gente só achava em fita K7 naquelas bandas do Oeste, da beira do Velho Chico. Engraçado, os K7 bons existiam, com todo o glamour esperado para coisas originais, de fábrica. Vinham com o encarte todo dobradinho, lindo, compactado para a embalagem. A fita era gravada rigorosamente 'no ponto', para que o ouvinte não perdesse um só segundinho das músicas iniciais e finais da bendita originalidade adquirida. Tempos bons, tempos idos...
Outra lembrança da minha vida, foi a morte de Cazuza, televisionada, se não me engano, pela Globo. Foi terrível este dia, não gosto de lembrar-me dele. Principalmente porque ele era meu xodozinho na época, mesmo bem guria, pois já curtia de ficar dançando no meio da sala, com os sofás todos encostados na parede, as músicas "... eu tô perdido sem pai nem mãe, bem na porta da tua casa..." e "... exagerado, jogado aos teus pés...". Nessa época, não me lembro de muitos doces ou guloseimas antigas que consumia. Acho que minha mãe foi muito rigorosa neste quesito. Contudo, vídeo-games não faltaram em minha casa. O Atari foi só o começo para que os Master System, Mega Drive e Nintendo chegassem à parca cidadezinha do interior bahiano. E tudo vinha de Salvador, Brasília, Belo Horizonte, é claro. E por falar em Belo Horizonte, a minha avó adorava viajar. Sinceramente, eu não sei o porquê de tantas andanças por este meu Brasil, mas o fato é que ela adorava e sempre me carregava para onde fosse. Numa dessas, lá nas Minas Gerais, eu invoquei com um violão: foi o suficiente para a minha avó comprá-lo. Claro, eu não cheguei a usá-lo propriamente, pois era um Di Giorgio enoooooorme para uma guriazinha de 6 ou 7 anos, que mal tinha dedos para montar um acorde. Pior que o pobrezinho acabou-se nas inúmeras farras que sempre tinham lá em casa. Se bem que, menos mal, né?
É... lembro-me também da primeira noite em claro que passei na Semana da Cidade, ao som da banda Circuito Musical, tocando It must have been love, do Roxette; lembro-me da Quarta-feira de cinzas, quando meu irmão caiu da mesa e quebrou a clavícula - mais uma; Lembro-me da banda Ciclone, na ACRI, fazendo aquela noite dançante com as músicas da Jovem Guarda. São muitas lembranças, que emaranhadas entre imagens de TV, músicas, presentes e viagens, fazem parte de uma extensa rede neuronal que prontamente se acende quando eu me lembro apenas de como aprendi a digitar, ou melhor, datilografar. E foi, por este ato diário, ao se usar o computador, que escrevi tanta baboseira que aqui vos lê. Eu não poderia deixar passar em brancos espaços virtuais estas lembranças bobas, mas que compuseram a minha vida. Sabem como aprendi a digitar? Na tora! Descobri que meu tio comprara uma máquina de datilografar, dessas pequenas, que a gente tampava e ficava parecendo uma maletinha, de cor azul marinho, novinha. Como ele não me deixava utilizar a porcaria, pegava-a escondido todos os dias quando ele saia. Era engraçado, eu nunca havia visto alguém datilografar, até que reparei uma senhora do colégio na feitura de uma prova. Gente, eu não sei como eu conseguia afundar os pobres e finos dedinhos naquela velharia dura. Eu datilografava tanto, que tudo meu era realizado naquela joça: anotações desnecessárias, lista de presentes nunca comprados, dever de casa, meu nome completo 100 vezes, tudo. Até descobri um bendido corretivo para máquinas datilográficas! Lembro-me de que utilizava a máquina para datilografar o que eu mais gostava de fazer: paródias. Na 6a série, eu e Idalécio dedicávamos os dias a batuques na hora do recreio, cantando paródias das mais diversas músicas de sucesso. As letras eram horríveis, de conteúdo pornográfico - coisa engraçada para a época e para a idade -, exaltando o defeito de algum colega de turma, maldizendo algum professor chato... enfim, diversas porcarias pré-adolescênticas que se transformavam em hit na escola, onde nossa sala virava um palco para as mais diversas apresentações grotescas, de cover dos Mamonas Assasinas (com aquela música do Robocop gay) à Lulu Santos. Meu Deus, só de pensar, sinto asco: nem acredito que eu cantava e dançava a música inteira, interpretando a letra como se fosse um show de verdade! Triste...
Naquela época, computador era luxo, com aquelas máquinas enormes: os mais avançados eram os 486, ultrapassando há pouco tempo os 386, mas já em vista do 586 lançado no mercado americano. Primeiro entrávamos no MS-DOS, digitávamos 'cd win', depois 'win', para entrarmos no sistema operacional. Não havia nada neles, nenhum tipo de entretenimento, o bloco de notas era o feitor de texto padrão, o campo minado não era disponível para todas as versões, enfim, o windows 4.1 era um verdadeiro saco. Utilizávamos o drive B:, com um disco enorme quadrado, extremamente maleável, com um furo arredondado no meio. E dentro dele, se muito remexido, dava até para retirar a película e ter acesso macroscópico ao 'filme' de dados do bendito. De pensar que hoje um computador está na palma da sua mão, realmente é de se espantar.
E, para acabar com este tópico - escrevo demais, não? acho que é por conta do muito tempo que não dou as vistas por aqui -, vou dizer que eu era muito briguenta na idade escolar. E eu achava que, as guerras infinitas com meu irmão mais novo eram suficientes para me autointitular uma virtuose do boxe, luta livre, ... . Até que um bendito dia, uma amiga e eu tivemos uma briga daquelas. Resultado: olho roxo pra cá, testa sangrando pra lá, golpes baixos, chutes e voadoras aprendidas com Chuck Norris. As duas, arregaçadas e com saldo negativo. Após este conflito, nunca mais me embrenhei por esses campos bélicos perigosos. Sempre temi um corpo-a-corpo (que também era uma marca de hidratante!), aprendi qual era o meu lugar. E, nessas épocas de mudanças e lembranças perdidas, algumas lições para sempre ficaram gravadas. É, realmente é preciso ter memória para ir-se no alicerce que sustenta a maior parte das novas decisões.
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Boa noite a todos.
