terça-feira, 20 de abril de 2010

Eu tinha um propósito antes de pensar-me gente: solucionar os questionamentos do mundo, sanar as agruras da vida, procurar o caminho de volta. A verdade é que tudo não passa de uma grande ida, rumo ao infinito. E esse infinito, permeado de conversas fiadas e verdades explosivas, é simplesmente esclarecedor por si. O nosso problema é que tornamo-nos tão pragmáticos e insensíveis, que não enxergamos simplesmente. Hoje entendi uma parte da viagem, uma milésima parte da ida que, mesmo sem volta, diversas vezes rumamos num 'indo e vindo infinito' amiúde.


A viagem é uma só: sonhar sempre e fazer para sempre.

terça-feira, 30 de março de 2010

Vontade.

Muro! é simplesmente um muro, coração,
que faz-me atar os beiços diante do ineroxável
modo de viver uma doce e singela manhã de sol.
Vejo os tijolos a corroer-me, sangrando mãos e fé,
atordoados olhos e dedos tristes,
sem unhas para atirar-me ao outro espaço,
defronte e invisível, diante e infalível,
externo e tão intensamente dentro da minha alma.
Não quero saber o que virá por detrás do desconhecido:
quero-me indo através dele, impávido, rápido, com medo
e sem piedade dos pés sobre os espinhos.
Quero viver, coração! não importando o quão vistam-me
de ilusão nesta selva imaginária de segredos e guerras;
sem perceber o jorro amargo dos dias que passarão,
da doçura do mel que beberei instantaneamente por
algum mísero minuto num apiário visível e inacreditável.
Quero ir-me, somente. Quero adentrar tudo,
com facão e foice afiados,
para qualquer lida, qualquer ida ou volta,
para qualquer troco ou estrupício.
Quero... .

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Autópsia.

Olá, voltei. Após tantas mil páginas abertas antes desta, reporto-me a algo meio que esquecido nessa atmosfera atordoada que envolve o céu do Rio Vermelho neste instante. É bom voltar ao íntimo, ao seu predileto espaço virtual, com sua cara, com as fotos do Rio e da sombra de quem pisa o seco árido do solo dantes mar. Volto aqui e sinto-me gota, às vezes espessa e muitas vezes imarcescivelmente rala para formar uma superfície espelhada, perdida em alguma fresta de janela ou pedra. Mas, o importante é que volto, volto sempre para relembrar-me, tecer-me, mirar o passado e os sentimentos nos dias que foram atordoados ou simples; de muito riso ou lágrimas... porém, sempre criativos, eu diria! Porque viver é isso mesmo, dorido, instável, bom. Cada dia que volto aos ares cibernéticos das minhas palavras, traço curvas do crescimento interior, num gráfico cheio de sigmóideas e retas infinitas. Isso não tem serventia nenhuma, creio eu, até pq curvas assim são pros espíritos iluminados que aterrissaram nesse planeta. O meu espírito, ainda não pensei sobre ele, se o pusesse em escala alguma, não transcreveria uma ascenção ou decréscimo à primeira vista; penso que faria um círculo, como uma cobra tentando engolir a própria cauda, numa tentativa comestível de renovação contínua. Mas, será mesmo verdade esta leitura de mim? Acho que deva ser por isso que sempre volto, sempre reporto o meu estado momentâneo de renascença, ao vivo, no instante do booooooooom meteórico das reviravoltas descontroladas de mim. Ultimamente, apesar de ter esquecido deste portal para minha consciência, muitas coisas mudaram. E eu não consigo descrevê-las todas, pois são muitas, num espaço muito curto de tempo entre elas, quando perceptíveis. Às vezes, o mundo lá fora não nos deixa ver, não é mesmo?
Então, hoje resolvi escrever como se eu estivesse defronte do diário anual da escala geométrica da minha passagem terrestre. Escrevo-me a mim mesma. Escrevo-me para dentro, mesmo formando palavras aqui fora. E foram tantas as decisões neste fim-de-semana fulgás! Como se isto só provasse que os pensamentos são mesmo, além de à prova de balas, mais rápidos que quaisquer outros corpos em movimento, que o próprio tempo, que o próprio espaço que se move, irremediáveis. Viver é uma loucura. E, realmente, deveríamos antes fazer um teste-drive e escolhermos se realmente gostaríamos ou não de aceitar o desafio.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Sentido.

Hoje abracei os travesseiros. Hoje, impressionantemente hoje, fui buscar as chuteiras amarradas naquele tronco perdido no meio daquela floresta encantada de onde vim. Estranhamente pode parecer errado o regresso. Se está ou será, apenas o tempo vai mostrar o factível início do sim e do não. Querer voltar para o antes, para o mesmo, mesmo em outro tempo, em outra vida, em outro pacto, em outro assunto não me parece um efeito reverso. É só regresso. É só a volta, ou melhor, uma nova ida. O que buscarei além delas, amarradas onde desisti? saberei quando o primeiro nó do primeiro pé for apagado daquela estranha maneira de olhar o verde úmido e mais novo que dantes.
"tt's times like these, you learn to live again,
times like these, you give and give again,
it's times like these, you learn to love again,
it's times like these, time and time again".
Times like these, Foo Fighters.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

E segue...

Esses dias, desde o réveillon até esse último fim-de-semana antes do carnaval, foram laboriosos e interessantes ao mesmo tempo. Tenho cabeça apenas para os casos clínicos e assuntos mil que devo encrustar em minha cabeça até a prova no fim do ano. Gente, não é que está chegando mesmo? Virar gente é assim, complicado e gostoso. Às vezes bate um medo meio estranho, como se ainda fossemos embriões vendo a casca do ovo quebrar cedo demais. A coisa boa é que muita coisa está mudando para melhor, estou mais de palavras simples, sem querer muito impressionar o mundo lá fora. A única coisa que penso é de fazer tudo certinho, ser leal e fiel ao que aprendi e ao que sou. E assim, a vida vai seguindo, sem pressa pra algumas coisas, com uma azáfama para outras; sempre indo para frente, olhando para trás algumas outras tantas vezes para que o erro não se repita, para lembrar das coisas boas, para nunca perder a vontade de querer mudar o que está errado.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

2010.

Nesse início de 2010 foi tudo incrível: a chuva, a falta de energia elétrica que abastecia os freezers parcos de álcool e gelo. Tudo foi mágico: as milhares de contagens regressivas, pois cada relógio cabia uns minutos a mais ou a menos nesse tempo de milhares de mundos. Todos estavam lindos: vestidos brancos, para celebrar e pedir paz às forças cósmicas; amarelos, para que a prosperidade reine; verdes, para alguma coisa chamada esperança; com calcinhas vermelhas, para que o amor chegue neste novo ano de muitas expectativas. As cores, enfim, findavam na pequena rua mal-iluminada por gambiarras 220V, para uma corrente de 110V que chegava insistentemente. O meu réveillon não poderia ter tido outro sabor: era um agridoce ameno, com alguma coisa de céu ensolarado e de lua cheia que banhava aquela noite escura e de muitas cúmulo-nimbos. A chuva que caiu foi, certamente, para lavar as energias do ano que passara, trazendo novas auras e corpos novinhos em folha para os novos corações do novo tempo. Chegou 2010. Esse ano, que hoje completa 5 dias, será o meu ano. Será o ano de quem o elegeu para sua vida. Será o que quiser que ele seja, pois, a chuva e a falta de bebidas alcóolicas em uma vila perdida no vale mais lindo do planeta trouxeram a melhor lição que se poderia aprender nesses tempos de imaturidade e perplexidade: "somos responsáveis por aquilo que fazemos e, também, por aquilo que deixamos de fazer". Viva 2010!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Levitar dos colibris.

É tempo, é cedo, tarde e noite intensos.
Apressa o passo, represo os olhos, entrego o corpo e faço.
Trabalho, corro, examino, escrevo e cravo.
Vou longe, perto, converso e desabafo.
A pele aperta, a contenção navega no pesar amparado.
Não é medo mais, é vontade explícita.
É sede de água límpida,
é presunção aberta,
é ferida exposta e
vontade de curá-la;
Não há medo. Não há enseada ou baía,
porquanto grande o espírito vazou
na terra sem fim que o ancorava:
o espírito sumiu-se e assumiu o erro de crescer-se tonto.
É tempo, é cedo, é tarde infinita.
Faço, trabalho, acordo em mim.
Não é medo mais, é alguma coisa,
que em altura dessas,
vive já sem parar de querer não ser-te.

"... Se carece de definição, me sinto leve.
Céu azul na bolha de sabão,
que o vento rege, como folha ao coração.
Ao te refletir, o espelho em si
vira quadro ou vira arte,
Salvador Dali não ousou jamais imaginar-te".
- Leve, música de Jorge Vercilo. -

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

(Re)inventar.

Meus pés trilham a estrada que corro.
Solto-me pelo ar, vendo o horizonte intenso,
denso como minha pele negra,
como meus olhos coloridos
e cheios de esperança por tudo que virá.
Essa é a vida que construo a cada dia,
de tijolo em tijolo e argamassa quartzolit.
Não a quero muito sólida pois,
se em algum tempo, ela ficar pequena demais,
quero edificá-la e edificar-me outra,
maior e do jeito que me caiba em outra época.
É assim que espero viver, pelo que me vejo viva ainda
em espaço e tempo infinitos: nunca morrer-me,
sempre crescer-me, mudar-me para caber-me inteira
em chão, casa, terra, ar e coração.

"How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here"

Wish you were here, Pink Floyd.

domingo, 22 de novembro de 2009

Trigo.

Um olhar é mais que intrigante e irreversível para o que se pensa posteriormente. Um olhar, dois olhares, três... e assim vai o dia todo, entre olhares entreolhando-se, olho no olho, uma coisa meio louca e incontavelmente incontável. É bom isso, o frio na barriga desperta o corpo meio introspectivo ao som de algum acorde impensado. O que se faz depois? nada. Pára-se o parabrisa molhado, cheio de gotas apartadas pelo limpa-vidros. Elas não sabem, mas quando olhas para dentro do espectro de cores dentro delas, o olho reflete-se no meu parado, esperando a mira certeira do sim. Engraçado, intrigante, introspectivo e absolutamente lindo: os olhos entregam-nos. Para quem, ainda não sabemos. Para quê, então, nenhum rastro de ideação ilusória para resgatar as respostas. Simplesmente hoje, não sei bem o porquê (aliás, nunca o sei, é infinito isso), o sentido no seu olhar fez do meu sono e sonhos não quererem acordar-me neste domingo ensolarado.

sábado, 14 de novembro de 2009

O melhor dia do ano.

Ontem foi o meu melhor dia do ano. As coisas mais simples foram feitas, as mais chatas, resolvidas, as mais bestas, vividas com riso e sorvete da Mc Donald's. Soube ontem que amigos existem, mas que muitos não estão tão aí pra você no momento mais crítico, enquanto outros, mesmo com sono e de saco cheio do dia atarefado, fazem o possível e o impossível para agradá-lo, ver seu sorriso aflorar em rios de lágrimas de alegria. E, muito mais do que meu dia perfeito, foi o meu abraço e cheiro perfeitos, o som da voz doce e forte de quem sabe o que é música de verdade. E a faz com clareza e sinceridade, com o vício interior de soltar-se inteira para o mundo perceber o quão frágil é a existência, o quão simples são certas coisas, o quão duro e feio somos às vezes. Música é minha vida também. Foi meu primeiro amor, é minha segunda profissão, é minha casa favorita. E quando amo algo, amo do bom e do melhor. Sem querer jactar-me de bom gosto, mas o dia perfeito foi feito por causa do acaso, da minha escolha inusitada, da música que amo e gosto de ouvir pois a preferi em algum momento da vida. A saída sem pretensão, sem planos, um bilhete por acaso. O show perfeito, a chuva a molhar-me os cabelos escovados, os pisões e tropeços de muitos outros fãs em euforia, assim como eu, que ouvia e via serenamente e ferozmente a voz linda com palavras fáceis e poéticas. No fim, mais uma coisa inusitada: a simplicidade dantes estampada no palco, bem rente aos nossos pés, pisando o mesmo ladrilho do calçamento da saída do pátio. Mesma altura, mesma chuva e água mineral. Foi de uma nobreza aquele ato impensado, mas que me deu na telha pedir e que com um sim, fui agraciada em mil maravilhas e alegrias. Acho que ser artista é isso, é encontrar-se em todos os cantos, com todos os encantos próprios, com os outros que respeitem o que se escreve e canta; é estar no mesmo patamar após um cântico, com o inusitado, um abraço, um obrigada por fazer do meu dia, o melhor dia e mais perfeito deste ano que se enfim finda iluminado.