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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Levitar dos colibris.

É tempo, é cedo, tarde e noite intensos.
Apressa o passo, represo os olhos, entrego o corpo e faço.
Trabalho, corro, examino, escrevo e cravo.
Vou longe, perto, converso e desabafo.
A pele aperta, a contenção navega no pesar amparado.
Não é medo mais, é vontade explícita.
É sede de água límpida,
é presunção aberta,
é ferida exposta e
vontade de curá-la;
Não há medo. Não há enseada ou baía,
porquanto grande o espírito vazou
na terra sem fim que o ancorava:
o espírito sumiu-se e assumiu o erro de crescer-se tonto.
É tempo, é cedo, é tarde infinita.
Faço, trabalho, acordo em mim.
Não é medo mais, é alguma coisa,
que em altura dessas,
vive já sem parar de querer não ser-te.

"... Se carece de definição, me sinto leve.
Céu azul na bolha de sabão,
que o vento rege, como folha ao coração.
Ao te refletir, o espelho em si
vira quadro ou vira arte,
Salvador Dali não ousou jamais imaginar-te".
- Leve, música de Jorge Vercilo. -

domingo, 22 de novembro de 2009

Trigo.

Um olhar é mais que intrigante e irreversível para o que se pensa posteriormente. Um olhar, dois olhares, três... e assim vai o dia todo, entre olhares entreolhando-se, olho no olho, uma coisa meio louca e incontavelmente incontável. É bom isso, o frio na barriga desperta o corpo meio introspectivo ao som de algum acorde impensado. O que se faz depois? nada. Pára-se o parabrisa molhado, cheio de gotas apartadas pelo limpa-vidros. Elas não sabem, mas quando olhas para dentro do espectro de cores dentro delas, o olho reflete-se no meu parado, esperando a mira certeira do sim. Engraçado, intrigante, introspectivo e absolutamente lindo: os olhos entregam-nos. Para quem, ainda não sabemos. Para quê, então, nenhum rastro de ideação ilusória para resgatar as respostas. Simplesmente hoje, não sei bem o porquê (aliás, nunca o sei, é infinito isso), o sentido no seu olhar fez do meu sono e sonhos não quererem acordar-me neste domingo ensolarado.